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Projeto Espetáculo: teatro nas Fábricas de Cultura

Publicado em 8 de novembro de 2017

Os espetáculos são produzidos por jovens da periferia

Oniri Ubuntu - Fábrica de Cultura Jaçanã

Oferecer a vivência de todas as etapas da montagem de um espetáculo – roteiro, iluminação, sonorização, cenário e atuação – é a proposta do Projeto Espetáculo, programa que integra as atividades das Fábricas de Cultura das zonas norte e sul, instituições da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, gerenciadas pela Poiesis.

O projeto é uma produção conjunta entre adolescentes e jovens entre 12 e 21 anos, orientados por educadores e diretores. A dramaturgia é construída coletivamente. Logo, os aprendizes desenvolvem os roteiros a partir de suas experiências, ideais e visões de mundo. Os trabalhos de iluminação, produção, cenografia, figurino são realizados com a participação ativa e envolvimento de todos os participantes.

“No programa desse ano, partimos do princípio que, para compreender o sentimento amoroso como expressão de cada sujeito, é necessário compreender também o território social que o delimita, expande ou redime”, conta Ivan Delmanto, um dos orientadores artísticos do Projeto Espetáculo 2017.

As apresentações são gratuitas e os ingressos precisam ser retirados com uma hora de antecedência nas Fábricas. Veja abaixo a descrição completa dos espetáculos:

ZONAS NORTE E SUL

Capão Palace | Capão Redondo | 08, 10, 11, 15, 17 e 18/11

O edifício da Fábrica de Cultura Capão Redondo ganha dimensão ficcional para abrigar em suas salas, corredores e escadas o Capão Palace, iniciativa imobiliária obscura que pretende vender o bairro e transforma-lo em um enorme condomínio de luxo. Seguranças higienistas, ministros de fé investidores e médicos pouco ortodoxos fazem parte do quadro de funcionários do conglomerado. Enquanto clientes são recebidos para tratar de negócios, Orlante, morador do bairro, rompe o sistema de segurança em busca de Monalisa.

Oniri Ubuntu | Jaçanã | 15 a 19/11

Entrelaçando imagens de momentos históricos distintos, Oniri Ubuntu realiza uma montagem na qual ancestrais dos povos africanos estão vivos e falam de possibilidade e outros destinos aos seus descendentes brasileiros. Omama é uma pele de terra ao sul do Equador, habitada pelos Mundurobás. Em Omama, a terra, o ar, a água e o fogo são seres, têm coração e respiram. Os ancestrais desta terra também estão vivos e falam através das Oniris, as pedras da memória de Omama. Um submarino chega à pele de terra e diante dessa invasão os Mundurobás resistem.

Aroé. Corpo-vestígio | Jardim São Luís | 16, 17, 18, 24 e 25/11

Em sua busca pela desaparecida Monalisa, Orlante é guiado por uma mulher-pássaro, um psicopompo – palavra grega que define aquele cuja função é guiar o ser humano entre dois ou mais eventos significantes. Coveiros e construtores, seres andróginos e misteriosos, guardam o tempo e as fronteiras da Cidade-Corpo e da Cidade-Vestígio, permitindo que Orlante atravesse a porta de entrada das cidades para encontrar Monalisa.

Os Escafandristas | Vila Nova Cachoeirinha | 17, 18, 24, 25 e 26/11

A ação da peça se passa em 2057. Uma empresa está recrutando trabalhadores para cuidar do reconhecimento e restauro dos objetos encontrados nas ruínas de um prédio desativado há muito tempo. Aqueles que são escolhidos realizam a tarefa de explorar o lugar, e vão encontrando vestígios do passado. Em meio a esse processo de busca e restauro, descobrem muitas chaves de entendimento da história. Descobrem, também, um documentário feito por jovens há 40 anos, que é a chave de entendimento de toda aquela missão de busca.

Cidade de pedras, corpo em ruínas | Brasilândia | 23 a 26/11

O trabalho é uma narrativa alegórica que procura refletir sobre as diversas formas assumidas pela violência patriarcal no meio urbano. Violência imposta aos corpos dos trabalhadores, à natureza, principalmente, ao corpo feminino. Esta peça reflete o desejo de imaginar outras estruturas possíveis, recriando territórios não violados, onde possam ser ouvidas vozes das mulheres-Pauliceia que, embora sejam pedras fundamentais, são tantas vezes invisíveis nesta cidade.

ZONA LESTE

Desembarcando-me: o que você vai ser quando chegar? | Itaim Paulista | 9/11

Um grupo de viajantes embarca em um trem. Imaginam seu destino, mas não sabem exatamente qual será. Sabem apenas que essa jornada transformará a todos e determinará quem serão eles quando desembarcarem.

Território de mim | Sapopemba | 16/11

O que temos escondido dentro da gente? Há quanto tempo não “tiramos o pó das nossas caixinhas”, aquelas que guardam nossos valores e verdades, para encararmos os assuntos que não queremos trazer à tona? Fizemos este convite à nós mesmos! Aceitamos. Agora estendemos este convite a todos os espectadores. A transformação não é imediata nem pontual. A transformação é uma busca.

Entrelinhas: o que nasce é o que se é? | Vila Curuçá | 23/11

Um dia, já adulto, Ariel se depara consigo mesmo aos 6 anos de idade. Conduzido por sua criança interior, analisa sua trajetória de vida buscando entender como suas escolhas o fizeram desconectar-se de sua imaginação e inocência. Poderá Ariel desembaraçar as linhas do tempo e desatar os nós do fio de sua vida?

Tribo-çá, guerreirxs da noite | Cidade Tiradentes | 08/12

Se um dia o sol, rei dos tempos, que por milênios aqueceu nossos passos,  partisse e não voltasse a brilhar, morresse como um mortal. O que seria de nós, do futuro escuro, da noite que reinaria em seu lugar? Qual seria o caminho a traçar nestes novos tempos? O espetáculo é uma viagem possível à noite, a que mora dentro de nós.

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