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EXPOSIÇÃO

Museu da Casa Brasileira e Instituto Tomie Ohtake recebem exposições de Ruy Ohtake em fevereiro

Publicado em 13 de fevereiro de 2019

Oficinas, laboratório e lançamentos de livros compõem a programação

Ruy Ohtake: O design da forma

Instituto Tomie OhtakeAbertura: 25 de fevereiro, às 20h00 

Ruy Ohtake: A PRODUÇÃO DO ESPAÇO

Museu da Casa BrasileiraAbertura: 26 de fevereiro, às 19h00

Um panorama da obra de Ruy Ohtake, desde recém-formado até projetos atuais, poderá ser conferido em duas exposições em São Paulo. Enquanto o Museu da Casa Brasileira, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, gerido pela Sociedade Civil por meio da A Casa Museu de Artes e Artefatos Brasileiros, exibe cerca de 40 projetos construídos ou em construção, com curadoria de Agnaldo Farias, o Instituto Tomie Ohtake traz a sua produção como designer, por meio de aproximadamente 25 peças selecionadas pelos curadores Fábio Magalhães, Marili Brandão e Priscyla Gomes. Ocorrendo em simultaneidade, as mostras visam aprofundar dois momentos (arquitetura e mobiliário) que delineiam iniciativas e pesquisas únicas, nas quais o arquiteto debruçou-se com uma inventividade formal pautada pelo risco. A última exposição que situou em perspectiva o trabalho de Ohtake ocorreu em 2008, na FAU-USP para celebrar os 60 anos da faculdade.

A exposição no Museu da Casa Brasileira, feita em associação com o Museu Oscar Niemeyer, de Curitiba, apresenta ao público o singular pensamento espacial de Ruy Ohtake, um dos principais arquitetos brasileiros. Por meio de maquetes, desenhos, croquis, fotografias e vídeos, Agnaldo Farias concentra sua extensa produção de quase 60 anos num conjunto de 42 projetos

“A mostra ressalta a concepção de Ohtake sobre qual deve ser o papel da arquitetura para o homem contemporâneo, como a sua obra vai assumindo diferentes traduções, conforme a natureza do projeto, o impacto que, pelo imprevisto de sua massa, de suas formas, espaços e cores, pode provocar no trecho da cidade onde se inscreve, entre seus usuários ou simplesmente nas pessoas que passam e se surpreendem”, afirma o curador. Segundo Farias, esse cálculo percorre todos os projetos: “numa casa, num edifício, seja ele residencial ou comercial; numa habitação temporária, como um hotel, que deve mesmo ser fascinante, como compensação a essas viagens que ou somos obrigados ou simplesmente queremos a fazer”.

Entre as obras selecionadas estão projetos urbanísticos, como o Parque Ecológico do Tietê (a canalização do rio foi um dos maiores equívocos urbanísticos cometidos na cidade, somado às congestionadas marginais, transformou a paisagem do rio sem margem / cit. Ruy Ohtake), preserva o curso natural do rio, portanto as margens para recuperação da vegetação, com pequenos núcleos de esporte, lazer, cultura e educação, possibilitando uma São Paulo do futuro ao revalorizar o rio, a paisagem, a ecologia e a história; Parque Ecológico de Indaiatuba, que retoma a dignidade do rio para o qual a cidade dava as costas; Polo Educativo e Cultural e Condomínio Residencial de Heliópolis, cujo principal partido tem sido o diálogo com moradores e onde o arquiteto consegue materializar a igualdade social no cenário de complicada desigualdade; Expresso Tiradentes, infraestrutura de transporte, traçado amarelo de 8 km de extensão que atravessa a cidade a 15 m acima das ruas do centro de São Paulo.

Já entre as edificações, que também deixam a marca do arquiteto na paisagem urbana, estão: Hotel Unique, Complexo Aché Cultural, onde está abrigado o Instituto Tomie Ohtake, caracterizado por um grande saguão que articula 8 salas de exposições e demais complementos da instituição, em São Paulo; Alvorada Hotel, em Brasília; Embaixada do Brasil, em Tóquio; e o Aquário do Pantanal, em Mato Grosso do Sul. “O pensamento espacial de Ruy Ohtake traduz-se em sua arquitetura singular, produção que encara as dificuldades do país e que luta por melhorá-lo não só por meio de respostas técnicas, mas pela beleza que alivia o olho e alimenta a imaginação”, completa o curador.

Programação

Conhecido por testar materiais nos canteiros de obra ou junto à indústria – como conseguir um vidro que capta plena luminosidade sem a incidência de raios solares –, foi no concreto que desenvolveu as mais variadas experiências. Para que o público possa conhecer estes processos, o Museu da Casa Brasileira realizará laboratórios de concreto voltados tanto ao público especializado, de estudantes e profissionais da área de arquitetura e design, quanto ao público em geral. As oficinas serão orientadas pelo arquiteto e especialistas da área durante o período da exposição.

As oficinas abertas ao público em geral serão divulgadas pelo programa do educativo do MCB ao longo da exposição. As oficinas destinadas ao público especializado, sobretudo nos campos da arquitetura e do design, incluirão projeto de forma e concretagem de pequenas peças utilizando alta tecnologia de concreto, conforme abaixo:

Público: estudantes/profissionais Inscrições: de 26 de fevereiro 05 de março

Vagas: 36

Horário: das 10h00 às 18h00

Datas: 16, 17, 18 e encerramento dia 25 de abril – desforma e entrega das peças

Informações detalhadas pelo site: www.mcb.org.br

Data: a ser definida no período da exposição

Organizado por Abilio Guerra e Silvana Romano, apresenta a produção arquitetônica do arquiteto a partir de três recortes conceituais: “morar na praça”, texto de Ruth Verde Zein e fotos de Nelson Kon; “arquitetura da cor”, texto de Luís Antônio Jorge e fotos de Tatewaki Nio; “arquitetura do território”, texto de José Tabacow e fotos de Antonio Saggese

Romano Guerra Editora

No Instituto Tomie Ohtake estão reunidas peças de mobiliário, objetos e materiais de acabamento criados por Ohtake. Conforme Priscyla Gomes, o arquiteto múltiplo é perito em definir com precioso desenho desde projetos de escala urbana até detalhes mais sutis, que configuram uma longa e minuciosa investigação acerca de como se é possível desenvolver, concomitantemente, mobiliário e edificação. Em seus projetos de arquitetura desenha elementos como mesas, estantes, sofás, aparadores e escadas, em concreto. “Há muitos anos o arquiteto tem um modus operandi único, com a arquitetura e o design inseridos no mesmo corpo”, afirma Fabio Magalhães.

A partir de 1995, desloca este seu saber para a indústria. Cria peças nos mais variados materiais: porcelanato, madeira, aço, vidro, porcelana de inovadora resistência e prata. O enfoque da apresentação destas peças no Instituto Tomie Ohtake busca destrinchar atentamente sua proximidade com o estudo dos materiais, seus comportamentos e limites, além de um entendimento atento às etapas de produção.

A mostra reúne além de obras originais, desenhos, modelos volumétricos, vídeos e entrevistas com o arquiteto. Para Priscyla Gomes, os elementos selecionados reiteram associações entre seus raciocínios construtivos, nos quais cortes e dobras acabam por definir aspectos estruturais de sua composição. “A contemporaneidade do arquiteto está alinhada a um pensamento vanguardista no qual estar à frente é decidir com liberdade novos parâmetros à criação”, completa.

Programação

Além do concreto, o programa que acompanha as exposições, traz também a investigação do arquiteto com a madeira, que será compartilhada com estudantes em um laboratório, realizado em parceria com a Oficina Lab.

Público: Estudantes universitários de cursos de Design.

Vagas: 15

Horário: das 14h00 às 18h00

Datas:  23 de março (com a presença de Ruy Ohtake); 30 de março (com acompanhamento da equipe do Oficina Lab); e 06 de abril (com a presença de Ruy Ohtake)

Inscrições: pelo site do Instituto Tomie Ohtake a partir do dia 28 de fevereiro (www.institutotomieohtake.org.br).

Os interessados devem fornecer no ato da inscrição: dados pessoais; documento que comprove estar matriculado em curso de design universitário; portfólio em PDF com até 3 páginas contendo estudos de projetos ou imagens de projetos já realizados.

Local: Oficina Lab – Rua Dr. Ribeiro de Almeida, 166 – Barra Funda

Data: 26 de março às 19h, com conversa com Ruy Ohtake.

Textos dos curadores Fabio Magalhães, Marili Brandão e ensaio fotográfico de Ruy Teixeira

Editora Olhares, 200 páginas, preço: R$95,00

 

Sobre Ruy Ohtake

Formou-se na FAU em 1960 e já em 1962 projetou a casa Rosa Okubo, premiada na Bienal de Arquitetura de São Paulo daquele ano. Depois de quase seis décadas de intensa atuação e muitos prêmios, conquistou, em 2007, o Colar de Ouro, maior condecoração do Instituto de Arquitetos do Brasil e foi condecorado como “Arquiteto do Ano 2009”, pela Federação Nacional de Arquitetos.  Recebeu os títulos de Professor Emérito da Faculdade de Arquitetura de Santos e de Professor Honoris Causa da Universidade Braz Cubas. Seu reconhecimento internacional já o levou a fazer parte do seleto grupo de arquitetos convidados do 20º Congresso da União Internacional de Arquitetos (1999), em Pequim, ao lado de Jean Nouvel e Tadao Ando. Na comemoração dos 60 anos da FAU-USP, em 2008, foi o arquiteto convidado a fazer uma exposição no grande espaço projetado por seu mestre Vilanova Artigas.

Sobre Agnaldo Farias

Um dos curadores e críticos de arte mais reconhecidos do Brasil, responde atualmente pela curadoria do Museu Oscar Niemeyer e da Anozero’19 – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra. Comandou a 29ª Bienal de São Paulo em 2011 e fez curadorias para o Museu de Arte Contemporânea e o Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo; para o Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro; para o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba; e para o Museu de Arte do Rio Grande do Sul; entre outros espaços. É também professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.

 

Sobre Fábio Magalhães

Fábio Magalhães, curador, museólogo e pintor, estudou no Institut d’Art et Archéologie de Paris. Exerceu diversos cargos, entre os quais diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo (1979/1982), secretário da Cultura do Município de São Paulo (1983), presidente da Embrafilme (1988), curador-chefe do MASP (1989/1994), presidente da Fundação Memorial da América Latina (1995/2003) e curador das 2ª e 3ª bienais de Artes Visuais do Mercosul, em Porto Alegre (1998/2001). Foi também professor do Colégio de Aplicação da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP) e lecionou nas faculdades de Arquitetura da Universidade de Brasília, da Universidade Católica de Campinas e do Instituto Mackenzie. Magalhães integra os conselhos da Fundação Padre Anchieta, da Fundação Bienal de São Paulo, do Instituto Itaú Cultural, do Editorial da Unicamp, do Museu da Casa Brasileira, da revista Política Externa (Paz e Terra).

 

Sobre Marili Brandão

Designer com especialização pelo IED Milão e mestrado pela FAU-USP. Foi designer na Philips do Brasil. Lecionou História do Design e Projeto na Faculdade de Belas Artes de São Paulo e Ecodesign e Sustentabilidade no curso de pós-graduação da FAESA, ES. Realizou sete edições da mostra Design & Natureza. Escreve sobre design, desde 1987 tendo sido correspondente da revista italiana Abitare e da Folha de São Paulo. Em 2001 foi curadora de design da Bienal 50 Anos – uma homenagem a Ciccillo Matarazzo e em 2006 do painel de design contemporâneo da Bienal Brasileira de Design. Idealizadora e realizadora do projeto Brasil Faz Design. Curadora de Design 80/90 no IED SP em 2018.

Sobre Priscyla Gomes

Arquiteta formada pela FAU-USP onde concluiu seu Mestrado em Teoria e História das Artes. Atualmente, é curadora associada do Instituto Tomie Ohtake e integra seu Núcleo de Pesquisa e Curadoria (NPC) participando, entre outras atividades, da concepção e juris dos Prêmios de Arquitetura e Design da instituição. Foi curadora de exposições como: Projeto Cavalo (2018), É como dançar sobre arquitetura (2017), Eduardo Berliner: Corpo em muda (2016), entre outras. Em 2018, teve seu projeto curatorial selecionado como uma das propostas finalistas para a XII Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo.

Sobre o MCB

O Museu da Casa Brasileira, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, dedica-se à preservação e difusão da cultura material da casa brasileira, sendo o único museu do país especializado em arquitetura e design. A programação do MCB contempla exposições temporárias e de longa duração, com uma agenda que possui também atividades do serviço educativo, debates, palestras e publicações, contextualizando a vocação do museu para a formação de um pensamento crítico em temas como arquitetura, urbanismo, habitação, economia criativa, mobilidade urbana e sustentabilidade. Dentre suas inúmeras iniciativas, destacam-se o Prêmio Design MCB, principal premiação do segmento no país, realizado desde 1986; e o projeto Casas do Brasil, de resgate e preservação da memória sobre a rica diversidade do morar no país.

SERVIÇO:

Museu da Casa Brasileira

Exposição: Ruy Ohtake: A PRODUÇÃO DO ESPAÇO

Abertura: 26 de fevereiro, terça-feira, às 19h00

Visitação até 19 de maio de terça a domingo, das 10h00 às 18h00

Av. Faria Lima, 2705

Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada) | Crianças até 10 anos e maiores de 60 anos são isentos | Pessoas com deficiência e seu acompanhante pagam meia-entrada
Gratuito aos finais de semana e feriados

Acessibilidade no local
Bicicletário com 40 vagas | Estacionamento pago no local

Tel.: (11) 3032-3727

 

Instituto Tomie Ohtake

Exposição: Ruy Ohtake: O design da forma

Patrocínio – Deutsche Bank

Patrocínio – União Química

Copatrocínio – Roca

Copatrocínio – Portobello

Abertura: 25 de fevereiro, às 20h

Visitação até 14 de abril, de terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca

Av. Faria Lima 201 – Complexo Aché Cultural

(Entrada pela Rua Coropés, 88) – Pinheiros SP –

Metrô mais próximo – Estação Faria Lima/Linha 4 – amarela

Fone: 11 2245 1900

www.institutotomieohtake.org.br

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