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Férias no MIS trazem Clube de leitura de HQs

Publicado em 3 de janeiro de 2019

Durante as férias, e como parte da programação paralela da exposição Quadrinhos, o MIS realiza o Clube de Leitura de HQs, encontros para discussão, análise e reflexão de quadrinhos nacionais e internacionais, de diversos gêneros. Os encontros são promovidos pelo Educativo MIS e a entrada é gratuita, para participar os interessados devem retirar senha na recepção do museu. Podem participar maiores de 14 anos e a leitura prévia das obras não é obrigatória. Para janeiro estão previstos dois encontros: um no dia 11 com a leitura de Scott Pilgrim – Contra o mundo e outro no dia 18 que traz Maus e Palestina – Uma nação ocupada. Saiba mais sobre as obras abaixo. 

Scott Pilgrim – Contra o mundo

A primeira edição do clube tem início com primeiro capítulo da série de graphic novels Scott Pilgrim – Contra o mundo, do canadense Bryan Lee O’Malley. Lançada no Brasil pela Companhia das Letras, a série foi dividida em três volumes: o primeiro inclui as histórias “Scott Pilgrim – contra o mundo” e “A preciosa vidinha de Scott Pilgrim”. O segundo volume contém: “Scott Pilgrim e a tristeza infinita” e “Scott Pilgrim entra na linha”. O terceiro e último, contém as histórias de “Scott Pilgrim contra o universo” e “A hora e a vez de Scott Pilgrim”. 

Scott Pilgrim é o nome do personagem principal, um roqueiro adolescente cuja vida parece um jogo de videogame. Ele se apaixona por Ramona Flowers, garota com um passado misterioso. Mas, para ficar com ela, Scott terá que enfrentar os Sete Ex-Namorados do Mal. Combinando elementos dos universos do videogame, do mangá, dos filmes de kung fu, da música e do cinema às grandes questões do amor jovem e do início da vida adulta, O’Malley criou um mundo vibrante, com um humor tão particular – e desconcertante – quanto os personagens que o habitam.

Maus

Maus (“rato”, em alemão), de Art Spiegelman, é a história de Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, o livro ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura. A obra é um sucesso estrondoso de público e de crítica. Desde que foi lançada, tem sido objeto de estudos e análises de especialistas de diversas áreas – história, literatura, artes e psicologia. 

Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos; poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Esse recurso, aliado à ausência de cor dos quadrinhos, reflete o espírito do livro: trata-se de um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto. Spiegelman, porém, evita o sentimentalismo e interrompe algumas vezes a narrativa para dar espaço a dúvidas e inquietações. É implacável com o protagonista, seu próprio pai, retratado como valoroso e destemido, mas também como sovina, racista e mesquinho. De vários pontos de vista, uma obra sem equivalente no universo dos quadrinhos e um relato histórico de valor inestimável.

Palestina – Uma nação ocupada

Palestina, de Joe Sacco, é resultado de uma longa viagem que o autor fez ao Oriente Médio. Durante dois meses, Sacco coletou histórias nas ruas, nos hospitais, nas escolas e nas casas dos refugiados. Presenciou violentos confrontos dos soldados com a população e entrevistou vítimas de tortura. Conversou com militantes, com outros já conformados com a situação, com idosos e com crianças.  

Palestina representa um desafio: provar que se pode fazer uma reportagem em forma de quadrinhos. O livro arrancou elogios entusiasmados de toda a crítica, inclusive daquela não especializada em quadrinhos. Do New York Times ao The Nation. Entrou para o currículo de diversas universidades norte-americanas. E, por fim, ganhou o American Book Awards.

 

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